Barbaridade com a CUMT
A Mestra da Vida e o Prefeito Jubilado
Rogério Torres
Se a História, como dizia Cícero, é a “mestra da vida”, convenhamos, devemos ser péssimos alunos; aquele aluno que senta na última carteira, não faz os exercícios, não traz o material escolar e todo ano fica em recuperação. Repetimos sempre as mesmas tolices, os mesmos erros, as grandes tragédias. As guerras estão aí como exemplos inquestionáveis. Mas não quero me perder em palavrório inútil, como inútil tem sido as aulas da “mestra”. Vamos direto ao assunto. A demolição do edifício da Companhia União Manufatora de Tecidos é um desses tristes exemplos da inutilidade da História como “mestra da vida”. Para não ir muito longe, quero lembrar - neste espaço gentilmente cedido pelo jornal – o triste e gratuito episódio da demolição do Palácio Monroe.
O Monroe, um dos prédios que compunha o conjunto de edificações genericamente chamado de eclético, ficava no final da Avenida Rio Branco. Fora projetado por Souza Aguiar e construído em 1904 para servir de pavilhão na Exposição Internacional de Saint Louis, nos Estados Unidos. Terminada a exposição, foi desmontado e reconstruído, em 1906, na Praça Marechal Floriano na Cinelândia, Rio de Janeiro . Logo após ser remontado, sediou a 3ª Conferência Pan-Americana, sendo aí batizado com o nome de Palácio Monroe, em homenagem ao presidente americano. De 1907 a 1914 serviu como salão de festas do Distrito Federal. Em 1914, durante oito anos, abrigou a Câmara dos Deputados. Em 1922, serviu de sede para a Comissão Executiva da Exposição Comemorativa do Centenário da Independência. Para receber o Senado, em 1923, foi reformado. Quando Getúlio Vargas, em 1937, fechou o Congresso, o Monroe passou a hospedar o Ministério da Justiça, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e a Hora do Brasil. Com o fim do Estado Novo, voltou a sediar o Senado até a mudança da capital para Brasília, em 1960. A partir daí ficou praticamente abandonado.
Vítima da sanha dos falsos “profetas” do progresso e da modernidade foi derrubado no meado da década de 70 do século que se findou. Nem a importância arquitetônica ou histórica sensibilizaram o presidente Geisel que, no dia 11 de outubro de 1975, autorizou o Patrimônio da União a providenciar a demolição do Monroe. Para a derrubada do Monroe muitas coisas foram alegadas: que ele atrapalhava o traçado da linha do metrô, que a manutenção do palácio era muito cara, que atrapalhava o trânsito no local, que fazia lembrar um Brasil arcaico e corrupto, que a “Redentora” (de 1964) deveria sepultar. Tudo indica, entretanto, que por trás desses argumentos inconsistentes estava o lobby dos especuladores imobiliários.
Com a CUMT aconteceu algo parecido. Poderosos interesses econômicos derrubaram, sorrateiramente, um patrimônio que de há muito deveria ter sido desapropriado pela prefeitura. Afinal, a CUMT foi um dos pilares de nossa industrialização, ali funcionou uma verdadeira escola para a formação de profissional do setor têxtil. Foi um centro que muito contribuiu para a organização social de nossos operários. Isto sem falar nos impostos que recolheu para os cofres públicos. Quem não se lembra dos linhos Braspérola? Uma boa parte de nossa história estava contida naquelas sólidas paredes, hoje reduzidas a pó.
Havia uma promessa do prefeito Washington Reis de fazer do local um centro de artes. Aquela promessa deixou-nos felizes, pois o “urbanamente incorreto” “Monstrengo Cultural”, do arquiteto Oscar Niemeyer, jamais funcionou. Mais uma vez fomos enganados, mais uma vez perdemos. Mas, se perdeu o “cidadão-eleitor-contribuinte”, perdeu também o prefeito omisso, jubilado pela “mestra da vida”.
Rogério Torres
Se a História, como dizia Cícero, é a “mestra da vida”, convenhamos, devemos ser péssimos alunos; aquele aluno que senta na última carteira, não faz os exercícios, não traz o material escolar e todo ano fica em recuperação. Repetimos sempre as mesmas tolices, os mesmos erros, as grandes tragédias. As guerras estão aí como exemplos inquestionáveis. Mas não quero me perder em palavrório inútil, como inútil tem sido as aulas da “mestra”. Vamos direto ao assunto. A demolição do edifício da Companhia União Manufatora de Tecidos é um desses tristes exemplos da inutilidade da História como “mestra da vida”. Para não ir muito longe, quero lembrar - neste espaço gentilmente cedido pelo jornal – o triste e gratuito episódio da demolição do Palácio Monroe.
O Monroe, um dos prédios que compunha o conjunto de edificações genericamente chamado de eclético, ficava no final da Avenida Rio Branco. Fora projetado por Souza Aguiar e construído em 1904 para servir de pavilhão na Exposição Internacional de Saint Louis, nos Estados Unidos. Terminada a exposição, foi desmontado e reconstruído, em 1906, na Praça Marechal Floriano na Cinelândia, Rio de Janeiro . Logo após ser remontado, sediou a 3ª Conferência Pan-Americana, sendo aí batizado com o nome de Palácio Monroe, em homenagem ao presidente americano. De 1907 a 1914 serviu como salão de festas do Distrito Federal. Em 1914, durante oito anos, abrigou a Câmara dos Deputados. Em 1922, serviu de sede para a Comissão Executiva da Exposição Comemorativa do Centenário da Independência. Para receber o Senado, em 1923, foi reformado. Quando Getúlio Vargas, em 1937, fechou o Congresso, o Monroe passou a hospedar o Ministério da Justiça, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e a Hora do Brasil. Com o fim do Estado Novo, voltou a sediar o Senado até a mudança da capital para Brasília, em 1960. A partir daí ficou praticamente abandonado.
Vítima da sanha dos falsos “profetas” do progresso e da modernidade foi derrubado no meado da década de 70 do século que se findou. Nem a importância arquitetônica ou histórica sensibilizaram o presidente Geisel que, no dia 11 de outubro de 1975, autorizou o Patrimônio da União a providenciar a demolição do Monroe. Para a derrubada do Monroe muitas coisas foram alegadas: que ele atrapalhava o traçado da linha do metrô, que a manutenção do palácio era muito cara, que atrapalhava o trânsito no local, que fazia lembrar um Brasil arcaico e corrupto, que a “Redentora” (de 1964) deveria sepultar. Tudo indica, entretanto, que por trás desses argumentos inconsistentes estava o lobby dos especuladores imobiliários.
Com a CUMT aconteceu algo parecido. Poderosos interesses econômicos derrubaram, sorrateiramente, um patrimônio que de há muito deveria ter sido desapropriado pela prefeitura. Afinal, a CUMT foi um dos pilares de nossa industrialização, ali funcionou uma verdadeira escola para a formação de profissional do setor têxtil. Foi um centro que muito contribuiu para a organização social de nossos operários. Isto sem falar nos impostos que recolheu para os cofres públicos. Quem não se lembra dos linhos Braspérola? Uma boa parte de nossa história estava contida naquelas sólidas paredes, hoje reduzidas a pó.
Havia uma promessa do prefeito Washington Reis de fazer do local um centro de artes. Aquela promessa deixou-nos felizes, pois o “urbanamente incorreto” “Monstrengo Cultural”, do arquiteto Oscar Niemeyer, jamais funcionou. Mais uma vez fomos enganados, mais uma vez perdemos. Mas, se perdeu o “cidadão-eleitor-contribuinte”, perdeu também o prefeito omisso, jubilado pela “mestra da vida”.
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