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Patrulha da Cidade
Outra
fato que muito contribuiu para criar uma imagem caricata e ao mesmo tempo
negativa do município foi o programa “Patrulha da Cidade”, apresentado na rádio
Tupi. Nele, o locutor não cansava de repetir que “Caxias era a cidade onde a
galinha ciscava para a frente”. O programa, que apresentava reportagens
policiais de forma jocosa e estereotipada, era carregado de gírias usadas por
policiais e marginais. O vocábulo "tresoitão", para nomear o revolver
de calibre 38, se não foi criado na "Patrulha", pelo menos, foi ali
popularizado. Os marginais negros eram chamados de “crioulos xexelentos” ou de
“filhos de cobra d’água com jacaré”. Para democratizar o preconceito racial, se
o marginal fosse branco, a alcunha era de “branco azedo”. Os motoristas de
ônibus também não foram esquecidos pelos redatores da Tupi. Para estes foi
criada a figura do “meia trava”, aquele motorista com flanelinha amarela
enrolada no colarinho da camisa, que avançava o sinal, parava fora do ponto e
dava meia trava para que o passageiro saltasse com o veículo ainda em
movimento. Mas não foi apenas Caxias que se tornou objeto de gozação do
programa, São João de Meriti, por exemplo, era anunciado como São João de
Meretricídio.
Na
obtusidade dos meus vinte anos, não deixava de sintonizar a rádio Tupi na hora
do almoço, me deliciando com aquela sobremesa cujo recheio era a violência com
cobertura de humor rasteiro. Mas não há como desconhecer o sucesso que a
Patrulha da Cidade alcançou na ocasião, mesmo entre os caxienses, que viam aí
uma “promoção divertida” para a cidade: “Falem mal, mas falem do cinema
nacional”.

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